Turismo carbono neutro no Cerrado: a operação da Praia Rica Expedições
- Praia Rica

- 20 de mar.
- 3 min de leitura

A discussão sobre emissões no turismo deixou de ser periférica e passou a influenciar decisões de viajantes, operadores e destinos. No Brasil, esse movimento ainda avança de forma desigual. No Cerrado, onde a relação entre o bioma, clima e conservação é direta, a questão se torna ainda mais sensível.
A Praia Rica Expedições passou a operar com neutralização de carbono em toda a sua estrutura e se tornou a primeira agência carbono neutro do Tocantins - das expedições à gestão. Isso inclui deslocamentos, operação em campo e compromissos internacionais. A decisão não surge como uma adaptação pontual, mas como continuidade de um posicionamento já assumido ao aderir à Declaração de Glasgow para Ação Climática no Turismo, iniciativa da ONU.
O que significa neutralizar carbono no turismo?
Neutralizar carbono em uma operação turística implica medir as emissões geradas por cada atividade envolvida - transporte terrestre, consumo energético, deslocamentos da equipe e compensá-las por meio de projetos certificados, como energia renovável ou conservação ambiental.
No caso de expedições em ambientes naturais, como no Jalapão, Chapada dos Veadeiros e outras regiões de Cerrado, essa conta não é abstrata. Ela está diretamente ligada a fatores como longas distâncias percorridas, acesso a áreas remotas e dependência de infraestrutura limitada.
Neutralizar não elimina o impacto, mas estabelece uma responsabilidade mensurável sobre ele.

Como isso se aplica na prática
Operar no Cerrado exige decisões que vão além do roteiro. A definição do itinerário, o tempo de permanência em cada lugar e a escolha de fornecedores influenciam diretamente o volume de emissões.
Na prática, a neutralização adotada pela Praia Rica considera:
Expedições
Cada viagem envolve deslocamentos em diferentes trechos, consumo de combustível e apoio logístico. Esses dados são levantados e convertidos em emissões equivalentes de carbono.
Operação e gestão
A conta não se limita ao campo. Inclui atividades administrativas, viagens institucionais e participação em eventos internacionais ligados ao turismo.
Compensação
Em 2025, mais de 14 toneladas de carbono foram compensadas por meio de um projeto de energia eólica. A escolha por esse tipo de projeto está ligada à capacidade de geração contínua de energia limpa e rastreabilidade dos créditos.
1.Durante as expedições, os viajantes têm a oportunidade de plantar mudas nativas do Cerrado em áreas sensíveis. 2.nas caminhadas com guias nativos os viajantes conhecem detalhes sobre o bioma.
Por que isso importa no contexto atual do turismo
A neutralização de carbono começa a se consolidar como um critério relevante para mercados internacionais, especialmente na Europa. Operadores e viajantes buscam cada vez mais clareza sobre emissões, impacto e coerência das operações.
No entanto, há uma diferença entre comunicar sustentabilidade e estruturar uma operação com base nela. No turismo de natureza, essa diferença se torna evidente na forma como as experiências são conduzidas.
No Cerrado, onde a paisagem depende de ciclos naturais sensíveis, a pressão sobre os locais de visitação não é apenas uma questão de volume de visitantes, mas de como esses fluxos são organizados.
A relação entre carbono, Cerrado e experiência
A neutralização de carbono não atua isoladamente. Ela se conecta com decisões que já fazem parte da forma de operar:
evitar roteiros concentrados em horários de pico
distribuir melhor o tempo nos lugares
reduzir deslocamentos desnecessários
trabalhar com grupos pequenos
Essas escolhas impactam diretamente tanto a experiência quanto as emissões. Menos deslocamento, mais permanência. Menos fragmentação, mais continuidade.
Isso também significa observar o ambiente com um todo. A experiência deixa de ser apenas uma sequência de pontos e passa a considerar todo o bioma.
Um movimento que continua
A neutralização das emissões em 2025 marca um ponto de partida mensurável. Em 2026, as emissões continuam sendo monitoradas e compensadas, mantendo a operação alinhada com as metas da Declaração de Glasgow.
Mais do que um selo, entendemos que se trata de uma camada adicional de responsabilidade sobre decisões que já estavam em curso.
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